LÁ VEM MAIS NOVELA! É GLOBO... ASSIM VOCÊ MATA O PAPAI!

19-12-2017

João Vitor Viana

 

Eu sempre falo que pouco vejo novelas, muito por causa do olhar jurídico da situação criada pelo autor ou autora. E por mais que seja algo lúdico, vivemos em um país onde a educação é péssima e formadores de opinião, muitas vezes, são bases para interpretações. E quando essas interpretações beiram a realidade, é dever nosso, como advogado, ao menos escrever para elucidar como é a realidade.

O caso de hoje é sobre interdição. A novela “O outro lado do paraíso” trouxe à tona essa situação. E durante todo o processo, uma série de equívocos foi mostrado. Vamos a eles:

Inicialmente é de se ressaltar que o Código Civil estabelece diretrizes quanto à interdição. E é claro quanto a quem pode tomar essa decisão. Aliás, diga-se de passagem, um ato extremo. De volta ao tema, temos que as pessoas competentes para requerer a interdição são os pais ou tutores; cônjuge ou, na falta destes, um parente do doente e, ainda, o Ministério Público, que, nesse caso, age em defesa dos doentes mentais, cujos parentes e responsáveis sejam incapazes ou não tenham requerido a interdição.

Na novela analisada, o pedido partiu da sogra. Isso nunca seria possível, analisando a letra da lei. Além disso, juntou ao processo laudos médicos falsos e, ainda por cima, viu-se uma cena irreal, na qual Marieta Severo (Sophia) conversa com o juiz da cidade e afirma: “Até dispensei o advogado desse caso, requerendo pessoalmente a interdição da Clara”. Interdição, sem advogado? Não mesmo, Globo!

Aliás, cada vez mais parece que a Globo não gosta da classe dos advogados. Em vários momentos a citada novela traz à tona assuntos jurídicos, e parece que outros personagens, leigos, têm mais noção de Direito que os próprios profissionais. É, Globo, ao olhar jurídico, cada vez mais vem tropeçando! Volto a dizer: pode até ser lúdico, mas tratar uma situação como a interdição com tamanha superficialidade beira a irresponsabilidade. Estamos de olho!

Ficou estranho!

Fugindo do assunto abordado, uma crítica: no episódio dessa segunda-feira (18/12), Sophia (Marieta Severo) disse a seguinte frase: “Estamos aqui nesse fim de mundo e aqui posso fazer o que eu quiser”. Calma aí, Globo! Como assim? A novela se passa em Palmas, uma capital de um Estado! Quanta falta de respeito! Que a próxima novela se passe em cidades fictícias. É muito mais saudável e não ferve os ânimos das pessoas. Em momento de tanta intolerância, chamar uma cidade grande de “fim de mundo” é ridículo! O povo de Tocantins merece todo o nosso respeito!

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